Quando o cansaço não é apenas cansaço: estresse, exaustão e fadiga na perimenopausa

Há uma pergunta que muitas mulheres começam a fazer entre os 40 e 50 anos: “Por que aquilo que eu sempre consegui sustentar parece exigir tanto de mim agora?”
Não necessariamente houve uma mudança radical na rotina. O trabalho continua, as responsabilidades familiares permanecem, os compromissos são semelhantes e, muitas vezes, a mulher continua sendo aquela pessoa que sempre deu conta de muitas coisas ao mesmo tempo. Ainda assim, alguma coisa parece diferente. O dia termina e o corpo parece não ter mais reserva; uma noite mal dormida produz consequências muito maiores; a tolerância ao estresse diminui; recuperar-se de uma semana difícil leva mais tempo e a sensação de cansaço começa a ultrapassar aquilo que o descanso habitual conseguia resolver.
Em algumas mulheres, essa experiência vem acompanhada de dificuldade de concentração, irritabilidade, ansiedade, sono fragmentado, esquecimentos, menor disposição, sensação de sobrecarga e uma espécie de esgotamento que nem sempre é fácil de nomear. Muitas começam a pensar que estão menos produtivas, menos resilientes ou simplesmente “aguentando menos”.
Mas existe uma questão importante que precisa entrar nessa conversa: para uma mulher na perimenopausa, o mesmo nível de exigência pode estar encontrando um organismo em um contexto fisiológico diferente.
A transição menopausal envolve alterações neuroendócrinas reais e pode coincidir com mudanças no sono, sintomas vasomotores, humor, cognição e percepção de bem-estar. Paralelamente, essa fase da vida frequentemente ocorre em meio a elevadas demandas profissionais, familiares e emocionais.
Por isso, compreender exaustão nessa fase exige abandonar explicações simplistas. Nem tudo é hormonal, mas também não faz sentido analisar cansaço, estresse, sono e saúde emocional ignorando uma importante transição biológica que está acontecendo simultaneamente.
Cansaço, fadiga, estresse e exaustão emocional não são exatamente a mesma coisa
Antes de relacionar esses fenômenos à perimenopausa, existe uma distinção importante.
Cansaço é uma experiência comum e geralmente relacionada a esforço físico ou mental, privação de sono ou períodos de maior demanda. Em condições habituais, tende a melhorar com repouso e recuperação.
Fadiga é um conceito mais amplo. Pode envolver sensação persistente de falta de energia, redução da capacidade para sustentar atividades e percepção de esforço desproporcional às demandas. Possui inúmeras causas possíveis e, quando persistente, merece investigação clínica.
Estresse, por sua vez, envolve os processos através dos quais organismo e cérebro respondem às demandas internas e externas. O problema não é experimentar estresse — essa resposta faz parte da adaptação humana —, mas permanecer exposto a demandas intensas ou prolongadas sem oportunidades suficientes de recuperação.
Já a exaustão emocional descreve uma sensação de esgotamento dos recursos emocionais, frequentemente relacionada à exposição prolongada a demandas psicológicas. Embora seja um componente central do burnout, não devemos utilizar os termos como sinônimos. Na classificação da Organização Mundial da Saúde, burnout está especificamente relacionado ao contexto ocupacional.
Esses fenômenos são diferentes, mas podem coexistir.
E é justamente essa sobreposição que torna a experiência de algumas mulheres na perimenopausa tão complexa.
A perimenopausa não acrescenta apenas mais um sintoma à rotina
A perimenopausa corresponde à transição que antecede a menopausa e pode começar anos antes da última menstruação. Durante esse período, a atividade ovariana se torna mais variável e ocorrem importantes mudanças na sinalização hormonal.
O estrogênio não atua apenas sobre o sistema reprodutivo. Existem receptores estrogênicos distribuídos pelo cérebro, e a sinalização estrogênica participa de processos relacionados à neurotransmissão, plasticidade sináptica, termorregulação e metabolismo energético cerebral.
É nesse ponto que as pesquisas da neurocientista Lisa Mosconi são particularmente relevantes.
Utilizando diferentes modalidades de neuroimagem, Mosconi e colaboradores compararam mulheres na pré-menopausa, perimenopausa e pós-menopausa e encontraram diferenças em estrutura cerebral, conectividade e metabolismo energético associadas aos estágios da transição menopausal. Os pesquisadores observaram ainda que vários biomarcadores se estabilizavam ou apresentavam recuperação após a menopausa, sugerindo processos adaptativos e compensatórios, em vez de uma narrativa simplista de deterioração cerebral.
Isso muda bastante a forma como podemos interpretar a experiência subjetiva de algumas mulheres.
A ciência não sustenta que a mulher simplesmente “perde energia cerebral” e, por isso, fica cansada. Essa seria uma extrapolação dos achados. O que as pesquisas permitem dizer é que o cérebro também atravessa uma transição neuroendócrina e metabólica enquanto se adapta à mudança na sinalização hormonal.
Então por que algumas mulheres sentem que possuem menos energia?
Essa talvez seja a pergunta mais interessante.
Não existe uma única resposta, porque a sensação de energia resulta da interação entre inúmeros sistemas. Sono, atividade física, saúde metabólica, alimentação, condições médicas, estado emocional, medicamentos, sintomas vasomotores, estresse, depressão, ansiedade e demandas cotidianas podem influenciar a experiência de fadiga.
Durante a perimenopausa, vários desses fatores podem mudar ao mesmo tempo.
Imagine uma mulher que sempre sustentou uma rotina profissional intensa. Durante anos, dormir um pouco menos em determinados períodos não parecia comprometer significativamente seu funcionamento. Ela trabalhava, administrava a família, resolvia problemas, fazia inúmeras tarefas simultaneamente e recuperava-se rapidamente.
Então seu sono começa a mudar.
Ela passa a acordar durante a madrugada, demora para voltar a dormir ou experimenta ondas de calor e sudorese noturna. No dia seguinte, continua tentando funcionar no mesmo ritmo.
Uma noite fragmentada se transforma em várias. O organismo recebe menos oportunidades de recuperação, enquanto as demandas permanecem praticamente inalteradas.
Os dados do grande estudo longitudinal SWAN mostram que problemas relacionados à qualidade e à quantidade do sono se tornam mais frequentes durante a transição menopausal, embora exista grande variabilidade individual. Sintomas vasomotores, alterações de humor e dificuldade para iniciar ou manter o sono também podem se relacionar a essas dificuldades.
Uma metanálise envolvendo mais de 63 mil mulheres encontrou igualmente maior probabilidade de distúrbios subjetivos do sono na perimenopausa e pós-menopausa quando comparadas à pré-menopausa.
Nesse contexto, a pergunta “por que estou tão cansada?” começa a exigir uma resposta muito mais ampla do que simplesmente “porque seus hormônios estão mudando”.
O sono pode ser uma das pontes entre perimenopausa e exaustão
Dormir não significa simplesmente desligar o cérebro por algumas horas.
O sono participa de processos essenciais relacionados à memória, aprendizagem, funcionamento cognitivo, equilíbrio metabólico, imunidade e respostas emocionais. Quando se torna repetidamente insuficiente ou fragmentado, as consequências aparecem também durante o dia.
A mulher pode perceber menor capacidade de concentração, irritabilidade, dificuldade para lidar com demandas simultâneas, maior percepção de esforço e redução da energia disponível para atividades que anteriormente realizava com relativa facilidade.
Isso cria uma situação particularmente delicada para mulheres de alto desempenho: a capacidade de compensar pode mascarar o problema durante algum tempo.
A mulher continua trabalhando, cuidando dos outros, resolvendo problemas e cumprindo compromissos. Externamente, parece funcionar. Internamente, entretanto, o custo para manter esse funcionamento pode estar aumentando.
É justamente por isso que “continuar dando conta” não é necessariamente uma boa medida de bem-estar.
“Eu sempre fui assim e dava conta. Por que agora não consigo mais?”
Essa frase merece atenção porque pode carregar uma interpretação muito dolorosa: a mulher conclui que perdeu competência.
Mas talvez a comparação esteja sendo feita entre duas condições fisiológicas e contextuais diferentes.
Uma mulher aos 45 ou 50 anos não está simplesmente repetindo a vida que tinha aos 30 com alguns anos a mais. Além das mudanças relacionadas ao envelhecimento, ela pode estar atravessando uma transição neuroendócrina enquanto sustenta responsabilidades profissionais mais elevadas, filhos em diferentes fases do desenvolvimento, relacionamentos, demandas financeiras, cuidados com pais envelhecendo e outras transformações características da meia-idade.
Ao mesmo tempo, sintomas vasomotores podem interferir no sono; dormir mal pode repercutir na energia e na cognição; perceber alterações cognitivas pode aumentar preocupação e autocobrança; sentir-se menos eficiente pode levar a mulher a trabalhar ainda mais para compensar aquilo que percebe como queda de desempenho.
Forma-se, então, um circuito difícil de perceber.
Quanto mais cansada, mais esforço ela utiliza para manter o funcionamento anterior; quanto mais esforço utiliza, menos espaço existe para recuperação; quanto menos se recupera, maior pode ser a sensação de exaustão.
Não precisamos atribuir esse ciclo exclusivamente à perimenopausa para reconhecer que a transição menopausal pode fazer parte dele.
O estresse também entra nessa equação
O cérebro e o organismo humano possuem sistemas extraordinariamente eficientes para responder às demandas. Em situações de desafio, mobilizamos recursos fisiológicos e cognitivos que nos permitem agir, resolver problemas e adaptar-nos.
Entretanto, adaptação possui custo.
O conceito de carga alostática, desenvolvido principalmente a partir dos trabalhos de Bruce McEwen e colaboradores, ajuda a compreender o desgaste associado à exposição repetida ou prolongada às demandas adaptativas. Não significa que o estresse simplesmente “desgaste o cérebro”, mas que diferentes sistemas fisiológicos precisam ajustar-se continuamente às exigências do ambiente.
Essa perspectiva é particularmente interessante na meia-idade feminina porque evita procurar uma causa única.
Uma mulher pode estar atravessando simultaneamente mudanças neuroendócrinas, noites menos reparadoras, elevada responsabilidade profissional, preocupações familiares e décadas de funcionamento baseado em alta exigência.
O organismo não processa cada uma dessas experiências em compartimentos independentes.
Elas interagem.
Talvez não seja que você esteja “tolerando menos o estresse”
Quando uma mulher percebe que pequenas demandas começaram a incomodá-la mais, é fácil interpretar isso como perda de resiliência.
Mas existe outra possibilidade.
Imagine um sistema que já está utilizando grande parte de seus recursos para manter equilíbrio diante de sono irregular, sintomas físicos, demandas cognitivas e mudanças fisiológicas. Uma nova demanda pode parecer muito maior não necessariamente porque essa mulher se tornou emocionalmente frágil, mas porque existe menos margem disponível naquele momento.
É a diferença entre carregar uma sacola de cinco quilos quando suas mãos estão livres e carregar os mesmos cinco quilos quando você já está segurando outras quatro sacolas.
O peso adicional é o mesmo.
A condição na qual ele está sendo recebido não é.
Essa metáfora não descreve um mecanismo neurobiológico específico, mas ajuda a compreender uma experiência clínica bastante comum: a tolerância percebida às demandas depende também da carga que já está sendo sustentada.
Exaustão emocional também não deveria ser explicada apenas pelos hormônios
Existe um risco importante quando começamos a falar mais sobre perimenopausa: transformar o hormônio na nova explicação universal para o sofrimento feminino.
Isso seria apenas substituir um reducionismo por outro.
Uma mulher que está exausta pode estar vivendo um relacionamento desgastante, sobrecarga profissional, cuidado prolongado de familiares, conflitos, dificuldades financeiras, perdas, isolamento, privação de sono ou décadas de autocobrança.
A perimenopausa não apaga essa história.
Ao contrário, ela acontece dentro dela.
É justamente por isso que precisamos olhar simultaneamente para biologia e experiência.
As mudanças hormonais podem modificar o contexto fisiológico no qual aquela mulher está vivendo, enquanto suas experiências, relações e demandas determinam grande parte da carga que precisa administrar.
E quando cansaço, ansiedade e irritabilidade começam a acontecer juntos?
Esses sintomas podem formar uma experiência difícil de separar.
Uma mulher dorme mal e acorda cansada; durante o dia, percebe menor tolerância às demandas; sente dificuldade para concentrar-se; preocupa-se com a própria produtividade; tenta compensar trabalhando mais; termina o dia mentalmente exausta e chega à noite ainda ativada.
No dia seguinte, tudo recomeça.
Além disso, uma metanálise recente sobre fatores relacionados a distúrbios do sono em mulheres na perimenopausa encontrou associações importantes com sintomas depressivos, ondas de calor e condições crônicas, reforçando que sono e saúde emocional precisam ser compreendidos dentro de uma rede de fatores, e não como problemas isolados.
É por isso que uma abordagem clínica fragmentada pode falhar.
Tratar a insônia sem perguntar sobre a transição menopausal pode deixar uma parte da história de fora; atribuir a irritabilidade apenas aos hormônios pode ignorar um quadro depressivo ou uma sobrecarga real; interpretar a fadiga exclusivamente como esgotamento emocional pode atrasar a investigação de condições médicas.
A mulher precisa ser compreendida como um sistema integrado.
Nem todo cansaço aos 40 ou 50 anos é perimenopausa
Essa ressalva é indispensável.
Fadiga persistente possui inúmeras causas possíveis e algumas exigem investigação médica. Alterações tireoidianas, anemia, deficiências nutricionais, apneia do sono, doenças metabólicas, condições inflamatórias, depressão, ansiedade, medicamentos e outras condições podem produzir sintomas semelhantes.
Por isso, perceber cansaço importante durante a perimenopausa não significa concluir que “são os hormônios”.
Significa incluir a transição menopausal entre as hipóteses relevantes e realizar uma avaliação adequada.
Da mesma forma, mudanças significativas de humor, perda importante de interesse, desesperança, ansiedade incapacitante ou alterações cognitivas progressivas não devem ser simplesmente normalizadas como parte da menopausa.
Normalizar a existência da transição não significa normalizar sofrimento significativo.
O que Lisa Mosconi acrescenta a essa compreensão?
O trabalho de Mosconi é particularmente relevante porque desloca a menopausa de uma narrativa exclusivamente reprodutiva para uma perspectiva neuroendócrina.
Seu estudo de neuroimagem publicado em 2021 encontrou diferenças em estrutura, conectividade e metabolismo energético cerebral entre os estágios da transição menopausal. Ao mesmo tempo, observou estabilização e recuperação de determinados biomarcadores na pós-menopausa, além de associações entre preservação cognitiva, recuperação de volume de substância cinzenta em determinadas regiões e produção cerebral de ATP.
Isso permite uma interpretação muito mais interessante do que a ideia de “declínio”.
Existe mudança, existe vulnerabilidade e existe adaptação.
Para uma mulher que sente que sua mente e seu corpo deixaram de responder como antes, essa distinção é importante. A transição não significa necessariamente que o funcionamento continuará piorando indefinidamente.
O organismo está atravessando uma reorganização.
E onde entra Mindy Pelz?
Mindy Pelz popularizou discussões sobre jejum, metabolismo, hormônios e estilo de vida na perimenopausa e menopausa. Algumas dessas discussões podem ser úteis como ponto de partida para educação em saúde, mas precisamos separar divulgação de evidência científica.
Para afirmações sobre alterações cerebrais, metabolismo energético, cognição, sono e fisiologia da transição menopausal, pesquisas revisadas por pares, estudos longitudinais como o SWAN, revisões sistemáticas e trabalhos de grupos acadêmicos como o de Mosconi oferecem uma base científica mais adequada.
Essa distinção não significa que toda recomendação de uma autora de divulgação esteja errada. Significa apenas que o nível de evidência precisa acompanhar a força da afirmação.
Especialmente quando falamos sobre saúde da mulher.
A meia-idade pode revelar o preço de um funcionamento baseado em compensação
Existe ainda uma questão que ultrapassa a menopausa e merece atenção.
Algumas mulheres passaram décadas funcionando em um modelo de alta exigência. Aprenderam a suportar jornadas extensas, antecipar necessidades dos outros, administrar inúmeras tarefas simultaneamente e continuar produzindo mesmo cansadas.
Enquanto o organismo consegue compensar, esse funcionamento pode parecer sustentável.
A perimenopausa não necessariamente cria essa sobrecarga, mas pode coincidir com um momento em que continuar compensando se torna mais difícil.
E então aquilo que antes parecia uma qualidade — “eu dou conta de tudo” — começa a mostrar seu custo.
Talvez seja justamente nesse momento que muitas mulheres percebam algo que vinha sendo adiado há anos: funcionar não é a mesma coisa que estar bem.
Compreender não significa aceitar viver exausta
Reconhecer que a perimenopausa pode participar dessa experiência não significa resignar-se ao cansaço.
Ao contrário, compreender os mecanismos permite investigar melhor o que está acontecendo.
Isso pode envolver avaliação médica e ginecológica da transição menopausal e dos sintomas físicos; investigação de causas clínicas para fadiga persistente; avaliação e tratamento de distúrbios do sono; análise da saúde emocional; revisão da carga de estresse e das condições de vida; além da discussão individualizada sobre possibilidades terapêuticas quando indicadas.
A psicoterapia também pode ter um papel importante quando a mulher percebe que, além das mudanças fisiológicas, existe um padrão antigo de autocobrança, dificuldade para reconhecer limites, necessidade de permanecer produtiva ou incapacidade de descansar sem culpa.
Nesse contexto, o objetivo não é psicologizar uma experiência biológica.
É compreender a mulher inteira que está atravessando essa experiência.
Talvez a pergunta precise mudar
Quando uma mulher que sempre foi extremamente funcional começa a sentir que não consegue mais sustentar o mesmo ritmo, a primeira reação frequentemente é aumentar a cobrança.
Ela tenta organizar melhor a agenda, dormir menos para produzir mais, compensar lapsos de atenção, ignorar o cansaço e continuar funcionando.
Talvez seja justamente aí que precisemos mudar a pergunta.
Em vez de:
“Por que eu não estou mais dando conta?”
Talvez seja necessário perguntar:
“O que meu organismo está tentando sustentar neste momento e quais condições ele possui para fazer isso?”
A perimenopausa não transforma todas as mulheres em pessoas exaustas, ansiosas ou cognitivamente prejudicadas. Também não explica sozinha o sofrimento que aparece nessa fase.
Mas ignorá-la significa perder uma parte importante da história.
Talvez algumas mulheres não estejam simplesmente “aguentando menos”. Talvez estejam tentando sustentar o mesmo nível de exigência enquanto sono, corpo, cérebro, contexto hormonal e demandas da vida atravessam mudanças importantes ao mesmo tempo.
E compreender isso não diminui sua força.
Permite parar de transformar uma transição fisiológica e uma sobrecarga real em uma acusação contra si mesma.
Perguntas frequentes
A perimenopausa pode causar cansaço e fadiga?
Cansaço e fadiga podem ocorrer durante a transição menopausal, mas possuem múltiplas causas. Alterações do sono, sintomas vasomotores, humor, condições médicas, medicamentos, estilo de vida e carga de estresse precisam ser considerados. Quando a fadiga é persistente ou intensa, é importante investigá-la em vez de atribuí-la automaticamente aos hormônios.
Por que parece mais difícil lidar com o estresse na perimenopausa?
Não existe uma explicação única. Sono fragmentado, sintomas físicos, alterações emocionais, demandas da meia-idade e mudanças neuroendócrinas podem ocorrer simultaneamente e reduzir a margem subjetiva disponível para lidar com novas demandas. Isso não significa que toda mulher se torne biologicamente “menos resistente ao estresse”.
A queda do estrogênio reduz a energia do cérebro?
Essa formulação é excessivamente simplificada. Estudos de Lisa Mosconi encontraram diferenças no metabolismo energético cerebral durante a transição menopausal, mas também observaram estabilização e mecanismos adaptativos posteriormente. Esses achados populacionais não permitem concluir que a fadiga de uma mulher específica seja causada diretamente por uma redução da energia cerebral.
Dormir mal pode piorar a névoa mental e a exaustão?
Sim. Sono insuficiente ou fragmentado pode afetar atenção, memória, funcionamento emocional e percepção de energia. Problemas de sono tornam-se mais frequentes para muitas mulheres durante a transição menopausal e podem interagir com sintomas vasomotores e alterações de humor.
Exaustão na perimenopausa é burnout?
Não necessariamente. Burnout é um fenômeno relacionado especificamente ao contexto ocupacional. Uma mulher pode apresentar fadiga, cansaço ou exaustão emocional durante a perimenopausa sem apresentar burnout, e os dois fenômenos também podem coexistir.
Como saber se é perimenopausa, estresse ou outra condição?
Nem sempre é possível separá-los apenas pela presença de um sintoma. Idade, alterações menstruais, sintomas vasomotores, qualidade do sono, histórico de saúde, medicamentos, saúde emocional, condições clínicas e contexto de vida precisam ser avaliados em conjunto. Em muitos casos, não se trata de escolher entre “hormonal” ou “emocional”, porque diferentes fatores podem estar interagindo.
Referências bibliográficas
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Study of Women’s Health Across the Nation — SWAN. Dados longitudinais do estudo mostram aumento dos problemas de sono durante a transição menopausal e sua interação com outros sintomas da meia-idade.
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